A Arte dos Cristais em Poços: a saga de uma família

Talento e criatividade do clã Molinari faz história e leva o nome de Poços aos quatro cantos do mundoimg
Quem não se encanta diante de uma peça de cristal moldada em cores e formas diversas? As transparências cristalizadas dessa arte milenar fizeram história em Poços e se tornaria a marca registrada da cidade em todo o país. A técnica criada por mestres-vidreiros italianos no início do século passado chegou a Poços pelas mãos do veneziano Aldo Bonora, que a convite da tradicional família Matarazzo, aportara em São Paulo antes de se mudar para o altiplano poços-caldense em meados dos anos 50.
Aqui, Bonora fincou raízes e instalou a sua primeira fábrica de cristais tipo Murano (nome da cidade italiana), onde o talento dos funcionários do clã Molinari (o patriarca Antonio e os filhos Ângela Cristina, Antonio Carlos e Paulo, filho e netos de imigrantes italianos) ganharia os moldes definitivos de uma história de arte e requinte que atravessa décadas.
No início dos anos 60, Aldo passou o controle da fábrica ao seu irmão Giannino, que viria a alugar parte do parque industrial aos italianos Mario Seguso,Vittorio e Alamiro Ferro. Como talentosos aprendizes e necessitados de um maior espaço, os Molinari partiriam para a montagem da própria fábrica (Antonio Molinari e Filhos Ltda) que num futuro próximo passaria a se chamar Cristais São Marcos. O negócio prosperou já nos primeiros anos, e, nas décadas seguintes, deu base para aperfeiçoar a técnica original hoje difundida e admirada no Brasil e no mundo.
A saga da família Molinari na arte vidreira é pautada por passagens emblemáticas, como a descoberta de um tipo de areia (matéria prima para a fabricação do vidro bruto) extraída em frente ao Véu das Noivas, em Poços: após ser lavada, de baixo para cima, em cochos em forma de
escada criados pelos irmãos, o material daria origem a uma espécie original vidro translúcido puro, semelhante a um cristal pós-fundido.
imgOs pioneiros Antonio Carlos e Paulo – discípulos talentosos do velho mestre Bonora desde tenra idade – através do aperfeiçoamento e desenvolvimento de ferramentas, equipamentos e fornos específicos - assumiram assim a hegemonia da arte cristaleira e seguem fazendo história de quase meio século dedicada a pura e cristalina arte em cristal. A utilização do estanho com o cristal na produção de peças com design mais arrojado – fruto de parceria firmada na cidade de São João Del Rey por ocasião da celebração dos 300 desta histórica cidade – é um símbolo vivo desta evolução.
Hoje, a empresa Cristais São Marcos – cujas peças chegam a mais de 40 países - incluindo a China - figuram nas principais feiras internacionais de decoração (Frankfurt, Milao, Dubai, Veneza e Chicago, entre outras.– A empresa mantém a tradição artesanal ao produzir 99% de suas coleções de peças sopradas e moldadas a mão, e apenas 1% delas sopradas em formas e cortadas a frio ou a quente, o oposto do que se vê em outras fábricas do ramo.
A construção (em curso) de uma réplica estilizada da “Piazza San Marco”, de Veneza (Itália) – para a frente da nova loja da fábrica, projeta-se como ponto alto do parque turístico em Poços. A suntuosa obra contará com uma reprodução do campanário da Catedral de São Marcos, além de um espelho d’água de grandes dimensões.

img

 

 

 

A técnica criada por mestres-vidreiros italianos no início do século passado chegou a Poços pelas mãos do veneziano Aldo Bonora, que a convite da tradicional família Matarazzo, aportara em São Paulo antes de se mudar para o altiplano poços-caldense em meados dos anos 50.