Indústria nacional dá sinal de vida após choque global
Após assimilação do impacto sobre estoques, economistas projetam alta de 5% e 6% para produção no 2º semestre.
Após declarações do governo federal de que os efeitos devastadores da crise global não afetariam a emergente e dinâmica economia nacional - o que se viu foi o contrário, com o aumento das demissões e do clima de incerteza geral.
Contudo, não por obra do acaso, mas graças ao consumo doméstico e aos incentivos tributários concedidos pelo governo federal - as indústrias projetam a elevação nos níveis de produção, o que deve refletir em novas contratações agora neste segundo semestre.
Mas o enfraquecimento do fluxo de exportações e o recuo do volume de investimentos ainda estão influindo negativamente nesse contexto. Um bom sinal, contudo, é que o ajuste dos estoques acumulados no auge da crise está praticamente completo nos diversos setores da economia, como apontam dados da FGV.
No mês de junho, por exemplo, menos de 13% das indústrias estão com estoques considerados excessivos, resultado é igual a média dos últimos dez anos. A título de comparação, em maio, o indicador estava em 14,1%, e em janeiro, o resultado chegou a 21,8%.
Com o problema dos estoques resolvido, os economistas projetam alta entre 5% e 6% para a produção industrial no segundo semestre, em relação ao primeiro, descontadas as influencias sazonais.
Outro dado importante: o acúmulo de estoques provocou um descompasso entre indústria e varejo. Em abril, a produção industrial estava 15% abaixo da de setembro, quando a crise chegou ao País, segundo o IBGE.
Na mesma comparação, as vendas do varejo, excluindo itens voláteis, como automóveis e material de construção, subiram 0,2%. A crise atingiu o Brasil quando a maioria das cadeias produtivas estava muito estocada. Como a demanda crescia velozmente, as empresas não queriam correr o risco de falta de produtos e perda de espaço para a concorrência.
O solavanco provocado na indústria pela crise - longe dos efeitos de uma ‘marolinha’, foi tão forte que atingiu até fabricantes de insumos, que representam 55% da produção industrial. Para resolver o problema, as petroquímicas reduziram as atividades e as siderúrgicas abafaram altos-fornos.
No setor elétrico, mais da metade das empresas considera seu nível de estoques normal, conforme a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). A siderurgia foi um dos últimos setores a se recuperar. Agora em julho, a CSN e a Gerdau anunciaram a retomada de dois altos-fornos, mas 5 dos 14 do País seguem parados (...). Em maio, a produção de aço bruto cresceu 9,5% em relação a abril, mas está 36% abaixo da produção de maio de 2008.
A crise atingiu o Brasil quando a maioria das cadeias produtivas estava muito estocada. Como a demanda crescia velozmente, as empresas não queriam correr o risco de falta de produtos e perda de espaço para a concorrência.



